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NADA COMO UM DIA DEPOIS DO OUTRO (I)
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DIÁLOGO COM A SÀBIA CORUJA (I) |
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CORA RONAI |
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Calma, calma: não há motivo para desespero. Uma vitória do PT tem seus pontos positivos...
Depressão mata, e não tenho planos imediatos de me mudar definitivamente de endereço. Mas como não ficar deprimida lendo o noticiário, assistindo aos debates e, sobretudo, escutando as ficções e meias-verdades do pai do Ronaldinho das Telecomunicações? Antes de perder de vez a esperança, fui trocar dois dedos de prosa com a Sábia Coruja das Highlands, que sempre tem uma visão otimista do mundo e uma palavra de consolo para os aflitos.
--Você já pensou no que vai ser isso?! -- perguntei. -- Mais quatro anos de crimes e maracutaias, com pleno aval do eleitorado?!
-- É, -- assentiu a Sábia Coruja. -- Bonito não vai ser não. O governo vai interpretar a reeleição como uma indulgência plenária, uma procuração popular para a compra e venda de deputados, dossiês e o que mais for necessário à sua permanência no poder. E o pior é que não estará longe da verdade.
-- Não sei mais o que pensar, -- desabafei. -- Tenho amigos corretos e honestos, gente direita mesmo, incapaz de roubar uma caixa de fósforos, que vai votar no Lula. Tenho amigos inteligentes e vividos, que sabem como é difícil ganhar a vida, que vão votar nele apesar das quantias obscenas de dinheiro que circulam ao seu redor; eles não demonstram indignação sequer quando digo que, para ganhar o que o Lulinha Fenômeno levou da Telemar, um trabalhador que vive de salário mínimo teria que passar mais de 1,2 mil anos trabalhando, sem gastar um centavo... Repara, mais de um milênio!!! Mas eles acham que está tudo certo, que é assim mesmo.
-- Bom, -- obtemperou a Sábia Coruja. -- Pode ser que acreditem na palavra do pai, quando diz que o rapaz tem talento.
-- Mas como é que alguém pode acreditar nisso, em sã consciência?! -- explodi. -- Talento é uma coisa, cinco milhões e duzentos mil reais são outra. Imagina, cinco milhões e duzentas mil notas de um real, uma em cima da outra... Mesmo que eu soubesse calcular direito, e que soubesse como se fazem esses cálculos, não conseguiria imaginar o tamanho de tal montanha de dinheiro!
-- Ué, mas eles não acreditam no Lula quando ele diz que não sabia de nada?
-- Acreditam.
-- Então? Quem acredita nisso acredita em qualquer coisa, ora.
Tem razão. Quero um uísque duplo!
-- Não adianta, você não bebe.
-- Tem razão. Quero um chocolate!
-- Você não está de dieta?
-- Estou, tem razão.
-- A única coisa que você pode querer é que os próximos quatro anos passem rápido; mas não recomendo. A vida é curta demais para que a gente se deixe abater por coisas que estão fora do nosso universo emocional imediato. Por outro lado, uma possível vitória do PT não deixa de ter seus pontos positivos...
Ahá! Eu sabia que a Sábia Coruja das Highlands não me deixaria na mão.
-- Jura?! Você não está dizendo isso só para me consolar, está?
--Não, claro que não. Nos últimos anos o mundo inteiro passou por um ciclo de prosperidade. O Lula pegou um país estabilizado, na medida do possível, considerando-se as crises internacionais que o FhC teve que enfrentar. Por mais que ele fale da "herança maldita", a verdade é que tentou seguir a mesma política econômica. Ficamos na lanterninha da onda de crescimento mundial, mas pelo menos crescemos alguma coisa. Só que ciclos virtuosos não duram para sempre. O próximo presidente, quem quer que seja, vai, provavelmente, encontrar um período menos risonho na economia mundial. E, como se não bastasse, tendo que enfrentar as conseqüências da péssima administração do PT. Já se sabe que o orçamento para o ano que vem não fecha se o governo não reduzir os gastos em pelo menos cinco bilhões. Ou, mais provavelmente, se não esfolar a população em mais cinco bilhões. Agora ponha-se no lugar de qualquer candidato: você gostaria de pegar um abacaxi desses? A máquina inchada a mais não poder, uma crise sem precedentes pronta a estourar na Previdência... Se o Alckmin ganha a eleição, ainda leva de quebra a oposição sistemática, hidrófoba e antipatriótica do PT. Com um detalhe perverso: a população em geral, que não entende nada de economia, vai repetir, até o fim dos tempos, que o Lula sim, é que sabia governar. Ora, o que ganha o PSDB tirando as castanhas do fogo para o PT?
-- Hmmm... Eu não tinha pensado nas coisas sob este aspecto. | |
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Escrito por Amina às 21h48
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NADA COMO UM DIA DEPOIS DO OUTRO (II)
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DIÁLOGO COM A SÀBIA CORUJA (II) |
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CORA RONAI |
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(continuação)
--Pois pense, -- disse a Sábia Coruja. -- Até aqui, o Lula nunca teve o menor pudor em culpar o FhC por tudo o que há de errado no país. Agora já disse, reiteradas vezes, que o país está "prontinho para crescer"; pois vamos ver, então, como se vira com a maravilha que criou.
-- É, só que é o país da gente, caramba! Você acha que o Brasil sobrevive a mais quatro anos dessa corrupção desenfreada?
-- Sobrevive,como não? -- sorriu a Sábia Coruja. -- Se você tivesse visto a devastação da guerra na Europa... Ali sim, a gente ainda podia imaginar que nada nem ninguém sobreviveria; no entanto, veja a Europa de hoje...
-- E você acha que a nova turma do Lula não vai cobrar a fatura? Ou que a turma antiga não vai cobrar os sacrifícios e bodes expiatórios? Você acha que o Jader Barbalho, por exemplo, vai deixar no barato?
-- Claro que não. Exigirá pelo menos mais um ranário para a mulher. Mas o Brasil, felizmente, é maior do que a fenda no abismo. Bem maior.
(O Globo, Segundo Caderno, 26.10.2006)
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Escrito por Amina às 21h46
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ENTÃO, TÁ...
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MUITA CALMA NESSA HORA... :-) |
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Argh!!!! Somos mesmo um povo horrível... Domingo, caso Deus não antecipe o Apocalipse, elegeremos Lulla (e a corja dele inteirinha) para mais quatro anos de lambanças criminosas, perpetradas na certeza da impunidade petista. Enfim, logo teremos nosso próprio Armagedon tupiniquim, masss... Fazer o quê?
Talvez, "deixar o homem trabalhar", como canta o jingle mais cínico da campanha deles, seja realmente a melhor forma de nos livrarmos do próprio... Lulla quer mais corda? Pois que se enforque. Afinal, ele não pode fugir à sua natureza... O Apedeuta já mostrou que é corrupto e sem princípios, mas até aí, tudo bem. Pelo jeito, o povo realmente se identifica com isso... Porém, como sua falta de ética anda pari passu com a sua brutal incompetência administrativa, será impossível que a fatura dos seus desmandos não seja cobrada durante o próximo governo. Então, veremos...
Muita calma nessa hora!!! :-)
Sobre o "day after", a Cora Ronai escreveu uma crônica muito boa, que postarei a seguir. Na verdade, foi publicada em "O Globo" de ontem, mas como só tive tempo para o blog agora, vai atrasada assim mesmo. Não importa. Trata-se de texto com prazo de validade igual a quatro anos. Os próximos... |
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Escrito por Amina às 21h22
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GOEBBELS E O PT: BOM MESTRE, MELHOR ALUNO...
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O PETISTAMENTE CORRETO - DENIS ROSENFIELD |
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(Publicado em "O Globo" de hoje) |
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Vamos combinar: Lula e o PT não podem ser criticados por questões éticas, porque pairam acima de qualquer suspeita. Toda cobrança é identificada a uma atitude que foge dos parâmetros do politicamente correto. Assim foi entendida a cobrança que Alckmin fez a Lula sobre a origem do dinheiro que seria utilizado na operação Cuiabá, montada por dirigentes petistas. O tucano foi considerado “agressivo” por formadores de opinião que fazem precisamente o jogo do “petistamente correto”. Cobrar ética de Lula e do PT tornou-se uma forma de descontrole emocional, signo de agressividade. Desviar recursos públicos com finalidades privadas e partidárias, pode. Formar uma “sofisticada organização criminosa” para tomar de assalto o Estado, pode. Cobrar essas “atitudes”, não pode!
As discussões sobre o debate e as suas repercussões já vêm enviesadas, pois se situam na ótica da recepção dos que, vendo o debate e procurando diminuir o desempenho superior de Alckmin, visaram a cobri-lo do manto da “agressividade” e do “autoritarismo”. A operação montada pelo PT foi muito bem executada, lançando os seus pitbulls ao ataque, travestidos do manto da virgindade ultrajada, respaldados por pseudo-intelectuais, que já não têm com a verdade nem a mais remota proximidade.
Alckmin, no debate, mostrou um outro comportamento, revelando-se uma pessoa que sabe cobrar e exercer a autoridade. Não houve nenhuma manifestação de cunho autoritário, salvo sob o modo da recepção por um imaginário social que confunde autoridade com autoritarismo. Talvez, segundo esse imaginário, a omissão de Lula em face das suas próprias responsabilidades seja vista sob a ótica de uma personalidade não autoritária. A omissão tomou-se sinônimo de tolerância. Tolerância com o direito alheio ou com a corrupção? Agora surge uma nova agenda. E nesta não cessa de martelar a pergunta: qual é mesmo a origem do dinheiro?
Lula foi acuado e procurou, no debate, voltar a tomar a iniciativa, Isto ficou visível nas suas repercussões, pois ministros e líderes petistas passaram a ocupar, orquestradamente, os meios de comunicação, seja com mentiras, seja com comportamentos destemperados, seja com atitudes autoritárias.
As mentiras foram protagonizadas por Marta Suplicy e pelo próprio Lula, segundo os quais Alckmin iria privatizar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobrás. Marilena Chauí saiu ao seu encalço falando de um falso projeto de privatização das universidades.
A tática foi formulada por Goebbels: repetir tantas vezes uma mentira quanto necessário, de modo que ela passe a ser vista como verdade. E, a propósito das privatizações, essa tática tende a ser eficaz, pois o governo anterior jamais fez uma defesa veemente dos processos de privatizações, como se esses fossem um mal menor. Não se fala em que a privatização da Telebrás tornou possível que todos os cidadãos deste país possam hoje ter um telefone celular. Antes, era um objeto de luxo, das elites. Tampouco se fala dos ganhos enormes em produtividade, modernização e competitividade dos setores de siderurgia, mineração e aviação. A opinião pública não foi suficientemente informada dos benefícios das privatizações.
Os comportamentos destemperados foram protagonizados por Ciro Gomes. Depois de ter se aliado aos homens da cueca no Ceará, ele vem se colocar como arauto da moralidade. O seu comportamento de oligarca de Sobral lhe serve paradoxalmente para criticar as oligarquias brasileiras. Entretanto, tal comportamento pode apresentar bons efeitos eleitorais por ter como alvo os tucanos, tendo ele sido um membro do PSDB. A tarefa que lhe foi designada é a seguinte: “são todos iguais, fiquem, portanto, com o homem do povo!”
As atitudes autoritárias estão representadas pelo ministro Tarso Genro, que se apressou a considerar como “fascistas” as declarações de Alckmin no debate. “Fascista”, por definição, é todo aquele que ousa criticar o PT. “Fascista” é aquele que não segue o “petistamente correto”. As declarações do ministro devem ser lidas como um sintoma de que os canos utilizaram uma estratégia eles não esperavam. Foram “politicamente incorretos”. Surge, mais uma vez, o viés autoritário do PT que se esconde sob o véu de uma acusação de autoritarismo ao adversário.
DENIS LERRER ROSENFIELD é professor filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. |
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Escrito por Amina às 14h17
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TUDO A VER
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. EDIÇÂO 1978 . 18 de outubro de2006
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DIOGO MAINARDI |
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Lula, Freud e dinheiro sujo: tudo a ver |
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"Todos os rastros apontam para o mesmo lugar: o Palácio do Planalto. Os golpistas que tramaram contra os tucanos eram da turma do presidente. E tudo indica que o dinheiro que eles usaram veio de lobistas e empresários que tinham interesse no governo federal"
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Estou todo embananado. Lula. Freud Godoy. Naji Nahas. Daniel Dantas. Telecom Italia. Telemig. Marcos Valério. Duda Mendonça. Delfim Netto. O que une um ao outro? O que é verdade? O que é mentira?
Ordenando os fatos:
1. A CPI dos Sanguessugas quer descobrir se Naji Nahas depositou 396.000 reais na conta da empresa do gorila particular de Lula, Freud Godoy.
2. Isso teria ocorrido em 5 de setembro, poucos dias antes de o comando da campanha de Lula ter sido flagrado tentando comprar o dossiê contra os tucanos.
3. O dinheiro que Naji Nahas teria repassado a Freud Godoy estava aplicado em cotas acionárias da Telemig. Até recentemente a empresa era controlada por Daniel Dantas.
4. A Telemig foi uma das maiores pagadoras de Marcos Valério.
5. Marcos Valério deu dinheiro a Freud Godoy.
6. Duda Mendonça tinha a conta de publicidade da Brasil Telecom, outra empresa controlada por Daniel Dantas.
7. Duda Mendonça também deu dinheiro a Freud Godoy. E recebeu ainda mais de Marcos Valério, lá fora.
8. Daniel Dantas e Naji Nahas trabalham juntos. Naji Nahas é o plenipotenciário da Telecom Italia no Brasil. Ele intermediou o acordo entre os italianos e Daniel Dantas.
9. VEJA noticiou que, em maio de 2003, a Telecom Italia deu 3 200 000 reais em dinheiro vivo a Naji Nahas. O dinheiro foi entregue a deputados da base lulista, segundo fontes da própria Telecom Italia.
10. Aqui na coluna contei que Naji Nahas, em 2002, arrecadou dinheiro ilegal para a campanha de Lula. Na época, defini Naji Nahas como a figura mais extravagante do lulismo.
11. A ponte entre Naji Nahas e Lula era Delfim Netto. O mesmo Delfim Netto que, como declarou Lula na última terça-feira, não foi eleito por "vingança de um conjunto de elitistas, porque defendia a nossa política".
Perdeu-se? Eu também me perdi. Muitas perguntas precisam ser respondidas pela CPI dos Sanguessugas. O dinheiro que Naji Nahas supostamente entregou a Freud Godoy seria usado para comprar o dossiê? Quem era o dono do dinheiro? O próprio Naji Nahas ou um de seus empregadores? Qual é o elo com o valerioduto? Por que Freud Godoy recebe dinheiro de tanta gente?
Estou embananado. Mas todos os rastros, de 1 a 11, apontam para o mesmo lugar: o Palácio do Planalto. Os golpistas que tramaram contra os tucanos eram da turma do presidente. E tudo indica que o dinheiro que eles usaram veio de lobistas e empresários que tinham interesse no governo federal.
Lula disse: "Esse menino não tem nada a ver com isso". O menino, no caso, era Freud Godoy. Se Lula disse, uma certeza a gente pode ter: é mentira. O menino tem tudo a ver com isso.
Nota: Leia a reportagem sobre o "companheiro faz tudo", Freud Godoy, nos posts abaixo. (na íntegra) |
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Escrito por Amina às 22h08
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CAIXA PRETA (I)
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. EDIÇÂO 1978 . 18 de outubro de2006
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Marcio Aith |
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Um enigma chamado Freud (I)
Ele e o dossiêgate são como fogo e dinamite. Por isso, uma operação está em curso para mantê-los afastados. Se ela falhar, será um deus-nos-acuda |
..........J. F. Diorio/AE ..................................Antonio Gauderio/Folha Imagem
 
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SEGURANÇA Freud Godoy (à esq.) passou de acusado a "inocente" depois que seu acusador, Gedimar Passos (à dir.), mudou a versão do depoimento que prestou à Polícia Federal . |
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Nas últimas semanas, uma operação abafa foi deflagrada para tentar apagar as chamas mais destruidoras levantadas pelo escândalo da compra do dossiê. Nessa operação aparece o que pode ser a impressão digital de um personagem muito próximo do presidente Lula. Esse personagem é Freud Godoy, ex-segurança pessoal de Lula e que até sua demissão, há quase um mês, ocupava o cargo de assessor especial do presidente. Freud teve seu nome citado pelo ex-policial federal Gedimar Pereira Passos, aquele que trabalhava com "tratamento de informações" na campanha de Lula e foi preso no dia 15 de setembro passado num hotel em São Paulo junto com o petista Valdebran Padilha. Gedimar e Valdebran foram flagrados com 1,7 milhão de reais para a compra do dossiê falso que serviria para ligar os tucanos à máfia dos sanguessugas. Depois de acusar Freud de ser o mandante da compra do dossiê em seu depoimento inicial, Gedimar recuou, retirando a única referência a Freud feita até agora na investigação do caso. Depois desse recuo, Freud tem desfilado por colunas jornalísticas e eventos sociais como um injustiçado. Tudo graças ao "novo" Gedimar, que agora diz ter sido pressionado a entregar o nome de Freud por métodos de tortura psicológica praticadas pelo delegado que o prendeu – Edmilson Bruno, o mesmo que divulgou as fotos do dinheiro usado para comprar o dossiê. Bruno será alvo de uma investigação interna da Polícia Federal e pode ser demitido do cargo.
O que fez Gedimar mudar sua versão inicial e inocentar o assessor próximo do presidente da República? A apuração dos repórteres de VEJA mostra que a operação abafa seguiu um padrão mais ou menos constante na crônica policial do governo petista. Primeiro se comete um ilícito e depois se seguem outros ainda mais demolidores na tentativa de encobrir o primeiro. A operação faxina do dossiêgate contou com a colaboração jurídica do ministro Márcio Thomaz Bastos (sempre ele), da mãozinha financeira do tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, e da força bruta de um cidadão até agora distante do caso: José Carlos Espinoza – como Freud, um grandalhão que trabalhou como segurança de Lula e ganhou um emprego no governo. Espinoza trabalhou no escritório paulista da Presidência da República até se afastar para dedicar-se à campanha à reeleição de Lula.
Nessa operação, coube a Márcio Thomaz Bastos conversar com Freud quando o escândalo estourou e indicar a ele um advogado de sua confiança (do ministro, é claro). Thomaz Bastos cobrou esforços diários de Freud, do advogado indicado por ele e do tesoureiro do PT no que parecia ser a tarefa mais urgente: convencer Gedimar a recuar.
(Continua no post abaixo) | |
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Escrito por Amina às 20h26
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CAIXA PRETA (II)
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. EDIÇÂO 1978 . 18 de outubro de2006
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Marcio Aith |
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Um enigma chamado Freud (II)
Seguindo o mesmo padrão dos escândalos do mensalão e da quebra do sigilo do caseiro, a missão principal de Thomaz Bastos foi a de blindar o presidente da República colocando-o a salvo das ondas de choque das investigações. |
Fotos Paulo Whitaker/Reuters ..........
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ONDE ESTÁ O DINHEIRO? O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, fez da pergunta um bordão que doeu nos ouvidos de Lula
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DÚVIDA E CERTEZA Presidente diz que só a PF pode definir os culpados, mas tem certeza da inocência de Freud
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Tão logo Gedimar foi preso, o ministro telefonou para Geraldo José Araújo, superintendente da PF em São Paulo, para perguntar: "Isso respinga no presidente?". Na semana passada, Thomaz Bastos mobilizou-se para defender o governo depois da notícia divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo dando conta de um depósito de 396.000 reais que teria sido feito pelo investidor Naji Nahas na conta bancária de Freud. Partiu do ministro Bastos a orientação final sobre a forma pela qual Freud e Nahas deveriam negar a história. Eles a cumpriram à risca. Não se tem a confirmação do depósito. Essas operações só são verificáveis com a quebra do sigilo dos envolvidos. Isso é uma violência. Ela foi praticada ilegalmente por um ministro (Antonio Palocci) contra um simples caseiro (Francenildo dos Santos Costa), e isso lhe custou o cargo e um processo criminal. Quebrar o sigilo bancário e telefônico de Freud Godoy é uma violência? Com base nos indícios levantados até agora, o Ministério Público Federal decidiu, na semana passada, fazer esse pedido à Justiça.
A atividade do outro segurança e assessor de Lula, Espinoza, também chamou a atenção dos promotores. Ele foi um personagem ativo na negociação do providencial recuo de Gedimar. Foi no apartamento de Espinoza em São Paulo que se colocou de pé um plano e suas bases materiais capazes de dar a Freud a tranqüilidade necessária para enfrentar as acusações de que estava sendo alvo. Bons amigos, Freud e Espinoza são unidos também pelo devotamento total a Lula. Em seu livro Do Golpe ao Planalto – Uma Vida de Repórter, o jornalista Ricardo Kotscho – amigo de Lula desde 1984, seu assessor em diversas campanhas e secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência até 2004 – refere-se a Espinoza como o "faz-tudo de Lula". Em muitas das viagens de campanha, Kotscho dividia o quarto com Espinoza e Wander Bueno, ex-secretário de Governo da prefeitura de Santo André na gestão Celso Daniel.
Tão logo Gedimar foi preso, o ministro telefonou para Geraldo José Araújo, superintendente da PF em São Paulo, para perguntar: "Isso respinga no presidente?". Na semana passada, Thomaz Bastos mobilizou-se para defender o governo depois da notícia divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo dando conta de um depósito de 396.000 reais que teria sido feito pelo investidor Naji Nahas na conta bancária de Freud. Partiu do ministro Bastos a orientação final sobre a forma pela qual Freud e Nahas deveriam negar a história. Eles a cumpriram à risca. Não se tem a confirmação do depósito. Essas operações só são verificáveis com a quebra do sigilo dos envolvidos. Isso é uma violência. Ela foi praticada ilegalmente por um ministro (Antonio Palocci) contra um simples caseiro (Francenildo dos Santos Costa), e isso lhe custou o cargo e um processo criminal. Quebrar o sigilo bancário e telefônico de Freud Godoy é uma violência? Com base nos indícios levantados até agora, o Ministério Público Federal decidiu, na semana passada, fazer esse pedido à Justiça.
(Continua no post abaixo) |
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Escrito por Amina às 20h25
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CAIXA PRETA (III)
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. EDIÇÂO 1978 . 18 de outubro de2006
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Marcio Aith |
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Um enigma chamado Freud (III)
A atividade do outro segurança e assessor de Lula, Espinoza, também chamou a atenção dos promotores. |
..........Carlos Humberto/Obritonews ..........................Flavio Neves/Agencia RBS/Folha Imagem
 
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O GUERREIRO DE LULA O ministro Márcio Thomaz Bastos agiu novamente
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DUPLA DO BARULHO Dirceu e Lorenzetti, outro amigo de Lula que, como Freud, pode desestabilizar o governo
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Ele foi um personagem ativo na negociação do providencial recuo de Gedimar. Foi no apartamento de Espinoza em São Paulo que se colocou de pé um plano e suas bases materiais capazes de dar a Freud a tranqüilidade necessária para enfrentar as acusações de que estava sendo alvo. Bons amigos, Freud e Espinoza são unidos também pelo devotamento total a Lula. Em seu livro Do Golpe ao Planalto – Uma Vida de Repórter, o jornalista Ricardo Kotscho – amigo de Lula desde 1984, seu assessor em diversas campanhas e secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência até 2004 – refere-se a Espinoza como o "faz-tudo de Lula". Em muitas das viagens de campanha, Kotscho dividia o quarto com Espinoza e Wander Bueno, ex-secretário de Governo da prefeitura de Santo André na gestão Celso Daniel.
Segundo um relato escrito por três delegados da Polícia Federal e encaminhado a VEJA, Espinoza e Freud, acompanhados de dois homens não identificados, fizeram uma visita a Gedimar na noite de 18 de setembro, quando ele ainda estava preso na carceragem da PF em São Paulo. A visita ocorreu fora do horário regular e sem um memorando interno a autorizando. Um encontro com um preso nessas condições é ilegal. Ele pode ser encarado como obstrução das investigações ou coação de testemunha. De acordo com o relato dos policiais, o encontro foi facilitado por Severino Alexandre, diretor executivo da PF paulista. O encontro ocorreu logo depois da acareação regular entre Freud e Gedimar, um encontro de cinco minutos que, segundo o relato oficial, transcorreu em silêncio da parte de Gedimar. O mais interessante, no relato dos policiais, viria a seguir. Severino teria acomodado os petistas em seu gabinete e determinado a Jorge Luiz Herculano, chefe do núcleo de custódia da PF, que retirasse Gedimar de sua cela. Herculano resistiu, pretextando corretamente que o preso estava sob sua guarda e que não havia um "memorando de retirada".
A PF é uma organização altamente profissional mas seus delegados são pessoas, eleitores e têm lá suas ligações políticas com o PT e com seu adversário, o PSDB. VEJA procurou esclarecer se os delegados que narraram as cenas citadas o fizeram por motivação política e, principalmente, se elas podiam ser levadas a sério. Em conversas telefônicas com os três delegados da PF, duas delas presenciadas por repórteres de VEJA, Herculano disse ter obedecido a ordem do delegado Severino de levar o preso Gedimar para um encontro com os petistas. Ele alegou na conversa presenciada pelos repórteres que o fez por receio de problemas futuros com seu superior hierárquico. Disse também que receava confirmar o caso a jornalistas e deu a seguinte explicação: "Depois nossos chefes vão dizer que sou louco e vão tentar me demitir, como fizeram com o delegado Bruno", disse ele. Foi nesse encontro que se armou o recuo de Gedimar? Não se sabe. Os policiais da PF não sabem o que se passou na sala fechada. O carcereiro diz que não ouviu nada. Nem gritos, nem sussurros.
(Continua no post abaixo) | |
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Escrito por Amina às 20h23
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CAIXA PRETA (IV)
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. EDIÇÂO 1978 . 18 de outubro de2006
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Marcio Aith |
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Um enigma chamado Freud (IV)
Procurado pela repórter Julia Duailibi na última sexta-feira, o carcereiro Herculano não confirmou a história que narrara aos colegas pelo telefone. Mas deu um jeito de dizer que também não a desmentia. |
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O superintendente da PF, Geraldo José de Araújo, procurado por VEJA, apresentou ao repórter Marcelo Carneiro documentos que provariam que não há possibilidade de Freud Godoy ter visitado Gedimar no dia 18 de setembro. Nos documentos – registros manuscritos das visitas recebidas por Gedimar e de sua saída com destino à cidade de Cuiabá – não há nenhuma referência à entrada de Freud Godoy na carceragem do órgão. Verdade. Freud Godoy não entrou na carceragem. Foi Gedimar, segundo a denúncia dos policiais, quem saiu para se encontrar com o segurança de Lula no conforto do gabinete de Severino.
Freud Godoy encontra-se no meio de um turbilhão. A se confirmar sua visita ao preso Gedimar e caso se prove que ela foi instrumental na mudança de 180 graus nas declarações do preso, ele deve muitas explicações à Justiça. A favor de Freud, é claro, se pode levantar a hipótese de que um homem inocente tem o direito de tentar de todas as maneiras, mesmo as mais desesperadas, provar sua inocência. Outros indícios parecem desacreditar a versão do inocente em estado de desespero depois de ver seu nome envolvido em um crime com o qual nada tem a ver. No encontro no apartamento de Espinoza, Freud e o tesoureiro Ferreira conversaram sobre dinheiro e sobre como ele, sempre ele, poderia manter a calma dos implicados de modo que não se sentissem tentados a envolver gente mais graúda no PT e no governo. A quebra do sigilo bancário de Freud Godoy poderia esclarecer muita coisa – inclusive inocentá-lo de vez. Existem suspeitas de que ele e sua mulher receberam dinheiro sujo do "valerioduto", o mesmo que abasteceu as operações de compra de parlamentares chefiadas pelo deputado cassado por corrupção José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo do PT.
(Continua no post abaixo) |
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Escrito por Amina às 20h21
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CAIXA PRETA (V)
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. EDIÇÂO 1978 . 18 de outubro de2006
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Marcio Aith |
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Um enigma chamado Freud (V)
A Caso Comércio e Serviços, empresa de segurança em nome da mulher de Freud, recebeu 98.500 reais da SMPB Comunicação, empresa de Marcos Valério. Outra empresa, a Caso Sistemas de Segurança, recebeu 23.000 reais da Duda Mendonça e Associados. Até agora não há explicação convincente para esses pagamentos realizados entre 2003 e 2004. |
Paulo Liebert/AE |
O CENÁRIO DA VERSÃO 2 Sede da Polícia Federal em São Paulo: denúncia (acima) diz que Freud se reuniu com Gedimar nas dependências da PF. A superintendência da instituição nega o encontro. Policiais o confirmam
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Freud foi fisgado pelo Coaf, órgão do governo que monitora operações financeiras suspeitas, em pelo menos uma oportunidade. Em 2006, ele depositou 150.000 reais, em dinheiro vivo, na conta da empresa de sua mulher. A operação foi considerada atípica por duas razões. A primeira é que ela ocorreu em moeda sonante. A segunda é que, naquela data, Freud tinha como única fonte de renda declarada o contracheque que recebia do Palácio do Planalto, no valor de 6.650 reais. Por meio de seu advogado, contudo, Freud limitou-se a informar que o dinheiro foi usado para o pagamento de equipamentos de segurança da empresa de sua mulher.
Em sua ficha de serviços prestados à família Lula da Silva, Freud exibe uma série de tarefas comezinhas. Quando Lula e familiares passavam fins de semana em São Paulo, ele providenciava até as refeições deles. Quando os filhos do presidente queriam assistir a um show de rock sem os apetrechos oficiais, Freud providenciava toda a operação – do ingresso ao transporte, como fez, por exemplo, na apresentação da banda U2, em fevereiro passado, em São Paulo. Nisso, já provocou constrangimentos. Foi ele quem arranjou o DVD pirata do filme 2 Filhos de Francisco, exibido no avião presidencial durante a ida de Lula a Moscou, em outubro do ano passado. Certa vez, numa viagem oficial do presidente a Foz do Iguaçu, Marisa quis presentear familiares com bugigangas do Paraguai. Coube a Freud Godoy ir a Ciudad del Este e voltar com vários embrulhos de presentes, entre brinquedos, perfumes e aparelhos eletrônicos.
(Continua no post abaixo) |
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Escrito por Amina às 20h19
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CAIXA PRETA (VI)
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. EDIÇÂO 1978 . 18 de outubro de2006
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Marcio Aith |
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Um enigma chamado Freud (VI)
As atividades de Freud não ficaram restritas ao trabalho de serviçal. Além de ter gabinete no mesmo andar que o presidente no Palácio do Planalto, Freud acompanhava Lula desde a primeira campanha presidencial, em 1989. Era o segurança mais dedicado, o chamado "mosca", aquele preparado para, em caso de um atentado, se lançar na frente do atirador. |
Monica Zarattini/AE |
O TESOUREIRO E ESPINOZA Paulo Ferreira (acima), substituto de Delúbio no PT, e Espinoza, amigo de Freud: operação abafa. |
Paulo Whitaker/Reuters  |
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Logo depois da posse de Lula, ele tentou se integrar ao esquema de segurança do presidente. Acabou se envolvendo em atritos com os militares responsáveis e se afastou. Mas continuou próximo a Lula. Ele era um dos poucos assessores com trânsito livre no Palácio da Alvorada nos fins de semana. Participava dos churrascos e organizava jogos de futebol. Embora tenha se ocupado com outras atividades nos últimos quatro anos, o ex-assessor nunca se desligou das questões de segurança. Em julho, quando o PT alugou o prédio para sediar o comitê reeleitoral de Lula, em Brasília, Freud encarregou-se de checar as condições do local. A empresa Caso, que no papel pertence a sua mulher, foi contratada pelo PT para, entre outras coisas, garantir a segurança das comunicações e prevenir espionagem. Freud incumbiu-se também de escoltar o tesoureiro caído em desgraça Delúbio Soares em suas andanças por São Paulo com malas de dinheiro.
O governo tem feito um esforço, compreensível dada a proximidade de Freud com o primeiro-casal, para tirá-lo da zona de choque do dossiêgate. No fim de setembro, quando a Justiça Federal decretou a sua prisão temporária, a PF estava impedida de cumprir a ordem judicial por força da lei eleitoral. A PF vazou a decisão judicial, dando tempo para que Freud conseguisse reverter a decisão numa instância superior antes de ser preso. Além disso, antes mesmo de examinar os extratos telefônicos de Freud, a polícia deu a entender que ele deixara de ser suspeito no caso da compra do dossiê. Tudo porque, examinando as chamadas telefônicas realizadas pelos petistas presos com o 1,7 milhão de reais, foram encontradas apenas três ligações entre Gedimar e Freud. Como os telefonemas teriam ocorrido em agosto, um mês antes da compra do dossiê, isso inocentaria Freud de qualquer envolvimento no episódio. Sem que nenhuma autoridade policial assumisse a informação, a versão foi plantada pelo governo nos jornais na semana passada. O número de telefonemas entre comparsas não inocenta ninguém. Mas também não incrimina. Para que Freud Godoy possa retomar sua boa vida de fiel assessor do presidente da República, precisa ser exonerado das suspeitas que pairam sobre ele. Suspeitas que não foram fabricadas pelas "elites", pela "nossa querida imprensa" ou pelo PSDB. Foram lançadas sobre Freud pela própria maneira de ser do PT.
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DE AUTORES A VÍTIMAS
Como Lula e o Partido dos Trabalhadores tentam transformar-se em v ítimas de um escândalo patrocinado por eles mesmos
OS FATOS...
1. Uma dupla de petistas foi flagrada comprando por quase 2 milhões de reais um conjunto de denúncias falsas contra tucanos. Com o dossiê nas mãos, o partido pretendia eleger um governador em São Paulo e, em nível nacional, disparar um tiro de morte contra José Serra
2. Os dois petistas carregavam 1,7 milhão de reais, dinheiro cuja origem (ainda incerta) pode resultar na impugnação da diplomação de Lula, caso seja reeleito, ou estimular a instalação de um processo de impeachment pelo Congresso Nacional
3. Os mandantes têm laços com a campanha reeleitoral do presidente Lula e com a própria instituição da Presidência da República
...E COMO O PT TENTA DISTORCÊ-LOS
1. O presidente absolve seu partido da armação sob o argumento de que ele, na condição de candidato, saiu prejudicado. Como se golpes desse tipo nascessem para dar errado. Na verdade, se tudo tivesse dado certo, Lula seria o maior beneficiado
2. Julgando-se vítima do episódio, o presidente sugere agora a existência de um complô de adversários políticos que, maquiavelicamente, induziram os "meninos" do PT a tentar comprar o dossiê. Por trás desse complô estariam os verdadeiros culpados no episódio
3. Como o PT arriscou o pouco que restou de sua imagem na compra fracassada do dossiê falso contra os tucanos, Lula diz que deve haver "coisas muito boas" dentro dele. "Quero conhecer o conteúdo", diz Lula. Isso não passa de cortina de fumaça: o dossiê é fajutíssimo. |
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Escrito por Amina às 20h17
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MUITO PIOR...
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. EDIÇÂO 1978 . 18 de outubro de2006
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Julia Duailibi |
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Ficou ainda pior
Relatório do TCU diz que dinheiro das cartilhas pode ter pago dívida do PT
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Carlos Humberto/Ag. BG Press

Lula e o amigo Gushiken: atuação na Secom marcada por denúncias |
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Em sua edição de 13 de setembro, VEJA revelou a justificativa dada pelo governo ao Tribunal de Contas da União (TCU) para o desaparecimento de 2 milhões de encartes e revistas de propaganda institucional pagos com dinheiro público. O governo informou ao TCU que o material, sobre o qual não há registro nas repartições oficiais, havia sido entregue diretamente pelas gráficas ao Partido dos Trabalhadores. Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), responsável pela elaboração da propaganda, isso ocorreu porque o PT se dispôs a distribuir os encartes e revistas à população, com o objetivo de baratear os custos para os cofres do Estado. Diante da explicação do governo, o ministro Ubiratan Aguiar, relator do processo que investiga o caso, afirmou, em voto proferido no mês passado, ter havido uma confusão inadmissível entre os interesses do governo e os de um partido político. Ele determinou, ainda, que o ex-ministro Luiz Gushiken, na ocasião à frente da Secom, e outros nove funcionários devolvessem ao Erário o valor gasto com o material supostamente entregue ao PT, além daquele despendido com outros 3 milhões de exemplares efetivamente distribuídos, mas produzidos a preços superfaturados. O total do dinheiro a ser reembolsado alcança 11 milhões de reais.
Na semana passada, VEJA teve acesso às 32 páginas do relatório técnico do TCU sobre o assunto e descobriu que o caso é bem complicado. Para os auditores do tribunal, há a hipótese de que os 2 milhões de encartes e revistas não tenham sido sequer produzidos e que o dinheiro pago pela Secom às gráficas serviu, na verdade, para remunerar serviços eleitorais feitos por elas ao próprio PT. A versão de que as cartilhas foram entregues ao PT seria, portanto, apenas uma desculpa para encobrir o crime de desvio de dinheiro público. Ao todo, dos 25 pontos fornecidos pela Secom para tentar comprovar a existência do material gráfico e a sua conseqüente distribuição, dezenove foram rechaçados pelos técnicos do tribunal. Os outros seis são compostos apenas de dados acessórios.
A mixórdia de versões da Secom é grande. De acordo com a secretaria, 1.000 exemplares foram entregues diretamente ao escritório da Presidência da República em São Paulo. Os técnicos do TCU, no entanto, não encontram uma prova consistente disso. A nota fiscal emitida pela gráfica responsável pela confecção desses exemplares estava em branco no campo destinado ao receptor. Há irregularidades mais gritantes. Na suposta entrega para o PT de um lote de 48.000 unidades, a nota fiscal traz valor distinto daquele pago pela Secom para a impressão das cartilhas. A secretaria diz que pagou 2,49 reais por unidade, mas no documento está 1,61 real. No afã de conseguir qualquer documento para comprovar o envio das revistas, a Secom chegou a entregar ao TCU recibos que faziam referência a um material editado em espanhol. Com relação a outros lotes, a secretaria nem sequer se deu ao trabalho de explicar ou anexar documentos que provassem sua confecção e distribuição.
As agências de publicidade responsáveis por produzir os encartes e revistas têm relação antiga com o PT. Uma delas é a Duda Mendonça & Associados, do marqueteiro próximo ao presidente Lula. A outra é a Matisse, de Paulo de Tarso Santos, publicitário amigo do presidente e marqueteiro das duas primeiras campanhas de Lula ao Planalto, em 1989 e 1994. Não é novidade que, para o PT, não há fronteira entre Estado e partido. Essa confusão foi atestada pelo próprio ministro Ubiratan Aguiar em seu voto. Esperava-se apenas que, após os escândalos que envolveram a Secom no ano passado, como os contratos superfaturados com as empresas do lobista Marcos Valério, o governo promovesse uma limpa nos quadros do órgão. Mas o que se viu foi um desligamento apenas formal de Gushiken e de seu então braço-direito, Marcus Flora. Dos outros oito servidores responsabilizados pelo TCU no caso dos encartes e revistas desaparecidos, seis continuam na secretaria, firmes e fortes, mandando e desmandando. Esse é o governo da companheirada.
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O ESQUEMA-FANTASMA
O TCU examinou notas fiscais e documentos apresentados pela Secretaria de Comunicação da Presidência para justificar a confecção de milhões de encartes e revistas com propaganda do governo Lula, supostamente distribuídos pelo PT. Conclusão: boa parte do material em chegou a ser produzida.
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Escrito por Amina às 15h29
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O QUE É ISSO, "CUMPANHÊRU"?
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ELIO GASPARI |
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(a coluna do Gaspari e a charge do Chico estão em "O Globo" de hoje) |
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Lula, de onde é que veio o dinheiro?
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Lula não deve reclamar de Geraldo Alckmin. Precisa calçar as sandálias da humildade para o próximo de bate, pois se afogou na poça de platitudes de um adversário previsível, frio como papa-defunto.
Alckmin tem razão: “De onde é que veio o dinheiro?” O companheiro ainda não entendeu que a falta de uma resposta a essa pergunta pode lhe custar a reeleição e um pedaço da biografia.
Lula passou os últimos quatro anos sem ouvir o contraditório. Diante dele, olho no olho, ao vivo e a cores, desconcertou-se. O peso da banda áulica no Palácio do Planalto de Nosso Guia só tem paralelo no governo do general João Figueiredo (1979-1985). A linguagem chula e a maneira destemperada como Lula trata seus colaboradores fazem de Figueiredo uma carmelita. Diz o que quer e só ouve o que quer. O entorno dos governantes o isola das adversidades e das contraditas.
O café vem como ele gosta. O assessor que carrega a toalha para enxugar o suor está sempre por perto. (Lembrai-vos do curador de almofadas para as pernas curtas do imperador etíope Hailé Selassiê.) Contam-se nos dedos quantas vezes um presidente é obrigado a teclar uma chamada telefônica. (Harold Wilson, primeiro-ministro inglês durante oito anos, confessou que, ao voltar à vida real, o que mais estranhou foi discar telefone.)
Alguns, como Fernando Henrique Cardoso, têm senso de humor para rir das portas que se abrem sozinhas. Outros acreditam que porta fechada é desaforo. O livro “Viagens com o presidente”, dos jornalistas Leonencio Nossa e Eduardo Scolese, mostra que Lula está nessa categoria. O companheiro vive nesse mundo encantado e, numa bela noite de domingo, vê-se diante de Geraldo Alckmin: “De onde veio o dinheiro?” Lula parecia um boxeador insulta do porque o adversário o atacava. Chegou a perder uma ficha. Para quem gosta de velharia, lembrava Muhammad Ali fazendo pouco de Joe Frazier na memorável luta de 1971.
Frazier lhe acertava o baço, o fígado e os rins. (“De onde veio o dinheiro?’) Ali ria. Frazier batia: (’De onde veio o dinheiro?”) A certa altura, Ali tomou um daqueles socos que derrubam cavalo. Conseguiu se levantar, mas não havia dúvida: acontecera o impossível, Ali perdera. O jogo não terminou: anos mais tarde, com a mesma tática, Ali nocauteou George Foreman.
Lula não fez o dever de casa. Alckmin não concluiu a venda do avião do governo de São Paulo. Fechar ministérios pode ser boa idéia, mas não equilibra orçamento. É como cortar cabelo para perder peso. Falar em aumentar os investimentos cortando a corrupção avaliada pelo FMI em US$ 3,5 bilhões é retomar uma ladainha petista Era esse o remédio que Marta Suplicy oferecia para sanear as finanças de Maluf. O bordão prometia “fechar as torneiras da corrupção”.
Nosso Guia se confundiu ao contar que barateou o preço dos computadores de consumo popular. Não conseguiu sequer falar bem de si além dos limites do “nunca neste país”. O estilo deixa-comigo se revelou desastroso. Não foi Alckmin quem bateu demais, foi Lula que não soube fazer outra coisa senão apanhar.
Faltam menos de duas semanas para a eleição: “De onde veio o dinheiro?” Uma coisa é reeleger uni presidente que não sabe de onde veio o ervanário que mercadejava o Dossiê Vedoin. Muito outra é reeleger um candidato que se aborrece quando alguém lhe faz essa pergunta. | |
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Escrito por Amina às 13h47
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A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR (I)
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ARNALDO JABOR (I) |
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(Publicado em "O Globo" de hoje) |
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Qual é a origem do dinheiro?
Este é o lema da campanha da oposição
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O debate de domingo serviu para vermos os dois lados do Brasil. De um lado, a busca de um “choque de capitalismo”, de outro, um delirante choque de um socialismo degradado em populismo estadista, num getulismo tardio. De um lado, São Paulo e a complexa experiência de um estado industrializado, rico e privatista, e, do outro, a voz de grotões onde o Estado ainda é o provedor dos vassalos famintos. De um lado, a teimosa demanda de Alckmin pelo concreto da administração pública, e, do outro lado, o Lula apelando para pretextos utópicos, preferindo rolar na retórica de símbolo, lendo constrangido estatísticas e citando obras que nem foram iniciadas.
Alckmin foi incisivo; Lula foi evasivo. Lula saiu da arrogância do primeiro turno para o papel de “sóbrio estadista injustiçado”. Mas não deu para esconder seu mau humor quase ofendido, por ter de dialogar ali com aquele “burguês”, limpinho, sem barba. Faltou-lhe a convicção de suas afirmações, pois seu “amor ao povo” não teve a energia de antes. Gaguejou, tremeu, suas frases peremptórias não tinham ritmo, não tinham punch line, não “fechavam”, enquanto Alckmin parecia um cronômetro, crescendo no ritmo e concluindo com fragor.
Lula estava rombudo, Alckmin era um estilete. Lula estava deprimido porque raramente foi contestado assim, ao vivo. Sempre recuamos diante do sagrado “Lulinha do povo”, imagem que se rompeu domingo. Houve um leve sabor de sacrilégio na acusação do agora agressivo “picolé de chuchu”. Alckmin rompeu a blindagem do Lula, protegido dos escândalos, Alckmin atacou a intocabilidade do operário sagrado e tratou-o como cidadão. Isso. O Lula perdeu um pouco da aura de ungido de Deus.
(Continua no post abaixo) | |
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Escrito por Amina às 17h10
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A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR (II)
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ARNALDO JABOR (II) |
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(Publicado em "O Globo" de hoje) |
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Qual é a origem do dinheiro?
Este é o lema da campanha da oposição
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(cont.) Lula sempre se disse “igual” a nós ou ao “povo, do alto de uma intocabilidade, como se ele estivesse ”fora da política”. Sempre houve um temor reverencial por sua origem pobre; qualquer crítica mais acerba soava como um ataque da “elite reacionária que não suporta um operário no poder”, como clamam tantos lulo-colunistas e artistas burros.
Quando o cerco apertou, Lula tentou se valer dos pobres, dos humildes, falou da mãe analfabeta, mas sempre evitou responder qualquer pergunta concreta, como se a concretude fosse uma ofensa a seu mundo ideológico, puro, acima da vida “comum”. Várias vezes, suas falas não faziam sentido, porém mantinham para o espectador acrítico aquele ronronar grosso que empresta um ritmo de fundo em torno à sua imagem de “símbolo dos pobres”. Lula não precisa dizer a verdade; basta parecer.
Sempre que Alckmin o encostava na parede, ele chamava as verdades proferidas de “leviandades”, o que é muito comum no vocabulário petista, que nomeia de “erros” os crimes cometidos ou de “meninos” os marmanjos corruptos que transportam dólares na cueca ou nas maletas e que foram “desencaminhados”, coitados, por bandidos comuns, talvez até (quem sabe?) “a serviço” de tucanos solertes.
Lula tentou encobrir crimes de sua quadrilha apelando para pretensos “crimes” de gestões anteriores, como barragens de CPIs, votos comprados, caixa 2 sem provas. Ele e os petistas se julgam donos de uma metaética, uma supramoral que os absolveria de tudo e, por isso, Lula utilizou-se de mentiras e meias verdades para responder às acusações de mensalões e sanguessugas em seu governo.
Para justificar a omissão e a passividade diante da Bolívia e do prejuízo de um bilhão e meio de dólares nas instalações da Petrobrás, Lula chegou a criticar a violência burra do Bush para se absolver na política de “companheirismo” com Evo Morales.
Em vez de se defender das acusações pontuais, dizia que a "Era FH também era corrupta", como nas brigas de bordel, em que as prostitutinhas se defendem apontando os pecados das outras. Lula tentou fugir da pergunta que não vai se calar: “Qual a origem do dinheiro?”
(Continua no post abaixo) | |
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Escrito por Amina às 17h08
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