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Sorriso de Gato


PAROLICE PRESIDENCIAL..

CHICO CARUSO - "O GLOBO"/11-08-06
 

AINDA SOBRE ESPORTES NÁUTICOS
 

Os jornais de hoje noticiaram que o Planalto admitiu o nervosismo de Lula e seu péssimo desempenho diante das câmeras, anteontem. Pobre Lula... É mesmo impossível tentar justificar o injustificável, ainda mais em rede nacional. Enfim, antes que as coisas se complicassem, seus acessores aconselharam-no a ficar longe de qualquer tipo de debate, que seguro morreu de velho...

Durante a entrevista de quinta feira ao “Jornal Nacional”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, além de não oferecer respostas precisas sobre os casos de corrupção que envolveram seu partido e ministros do governo, cometeu erros engraçadíssimos. Pior... Encurralado pelo casal de apresentadores, Fátima Bernardes e William Bonner, suou visivelmente (a maquiagem que usava, muito clara para seu tom de pele, não não lhe deu a devida proteção), mentiu, usou metáforas idiotas, tropeçou nas palavras e por fim enrolou-se de vez.

Nervoso, ao listar os resultados econômicos do seu governo, afirmou que "a única coisa que está caindo é o salário". :-)) Mas a coisa ficou realmente hilariante, quando ele falou em "combate à ética"...

Depois, embananou-se até mesmo sobre a extensão de nossas fronteiras: temos 23 mil quilômetros, mas ele deixou por módicos 17 mil... É muito divertida, a geografia do Lula...
"— Não são 17 mil metros, são 17 milhões (de metros). São 7 milhões de fronteira marítima e 9 milhões de fronteira terrestre".

Sobre nossas fronteiras, na verdade temos 15,7 mil km de fronteira seca e 7,3 mil km de marítima.
Será que ele pretendia presentear o "compadre" Evo Morales, do Peru, com a diferença?

Insistiu que o governo está apurando as denúncias contra seus ministros e acessores, citando o trabalho da Controladoria Geral da União. Além disso, afirmou que esta fora criada justamente em seu governo.
De novo, errou. Primeiro, o governo não começou coisa nenhuma. Foi, sim, literalmente apanhado com a boca na botija (ou com as calças na mão), na mais escandalosa história de corrupção desta República... Quanto à CGU, o órgão foi criado pelo ex-presidente Fernando Henrique, em 2001. A "contribuição" do Lula à Contraladoria consistiu basicamente em renomear o titular da pasta como "ministro do Controle e da Transparência".
Faz sentido... :-))

Quando o apresentador, William Bonner, lembrou que Lula se solidarizara publicamente com ministros e petistas acusados de faltas gravíssimas, num comportamento diferente do adotado antes da Presidência, quando pedia vigorosamente punição para os acusados antes da confirmação da culpa, a resposta foi: "Você deve estar falando de outra pessoa."

Bem... Nessa última afirmativa eu realmente acreditei. :-))


 
 


Escrito por Amina às 13h26
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SOBRE UM INCÊNDIO, MAS TOCANDO DE LEVE OS CHAMADOS "CONFLITOS INTRATÁVEIS"

"E a Serra do Rola-Moça, Rola-Moça se chamou"
 
 
 
 

A SERRA DO ROLA MOÇA

A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não...

Eles eram do outro lado,
Vieram na vila casar.
E atravessaram a serra,
O noivo com a noiva dele
Cada qual no seu cavalo.

Antes que chegasse a noite
Se lembraram de voltar.
Disseram adeus pra todos
E se puserem de novo
Pelos atalhos da serra
Cada qual no seu cavalo.

Os dois estavam felizes,
Na altura tudo era paz.
Pelos caminhos estreitos
Ele na frente, ela atrás.
E riam. Como eles riam!
Riam até sem razão.

A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não.

As tribos rubras da tarde
Rapidamente fugiam
E apressadas se escondiam
Lá embaixo nos socavões,
Temendo a noite que vinha.

Porém os dois continuavam
Cada qual no seu cavalo,
E riam. Como eles riam!
E os risos também casavam
Com as risadas dos cascalhos,
Que pulando levianinhos
Da vereda se soltavam,
Buscando o despenhadeiro.

Ali, Fortuna inviolável!
O casco pisara em falso.
Dão noiva e cavalo um salto
Precipitados no abismo.
Nem o baque se escutou.
Faz um silêncio de morte,
Na altura tudo era paz ...
Chicoteando o seu cavalo,
No vão do despenhadeiro
O noivo se despenhou.

E a Serra do Rola-Moça
Rola-Moça se chamou.

Mário de Andrade (1893 -1945)

 
Tristeza... Um incêndio está destruindo parte do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, pertinho de Belo Horizonte. Vi na TV que o fogo já devorou cerca de 66 mil metros quadrados de vegetação rasteira e pequenos arbustos. Costumávamos fazer longas caminhadas naquela região, agreste e linda. Agora, a reserva inteira está ameaçada porque algum criminoso, sabe-se lá por qual razão, resolveu queimar pneus velhos nas imediações. Pelo menos, é isso que os bombeiros acreditam. Seja como for, dá dó ver a imagem do fogo se alastrando, incontrolável por causa da secura desse inverno maluco.

O incêndio, porém, me fez lembrar desse poema do Mário de Andrade, que conta, (mineiramente, embora fosse paulista) a razão do estranho nome de uma das serras do parque.
Para ilustrar o post usei a aquarela "Serra do Rola-Moça", de Marcelo Albuquerque.

Bijim.

PS: Até haveria coisas bem mais graves a comentar... A ameaça terrorista, em Londres, o recrudescimento da guerra, no Oriente Médio, a lista das "Sanguessugas", recém saída do forno de pizza, o indulto do "Dia dos Pais", concedido a quase 15.000 presidiários paulistas (provavelmente, os mesmos responsáveis pelas cenas de guerrilha urbana que suportamos, indefesos, durante a semana do indulto pelo "Dia das Mães", que bandido também tem mãe), o Lula ainda na frente, nas pesquisas de opinião (opinião de quem, cara pálida?) e assim por diante. Mas confesso que estou absolutamente empedernida e refratária. No momento, a única coisa está fazendo meu coração doer é o incêndio na serra...

 
 


Escrito por Amina às 15h53
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CORRIDA PRESIDENCIAL

CHICO CARUSO - "O GLOBO"/10-08-06
 

ESPÍRITO ESPORTIVO

_ Vai fundo, Alckmin!

 
 


Escrito por Amina às 13h20
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ULTRAMAR I

 HISTORINHA QUASE BHARATA... (I)
     
 


   


O PAPA-FIGOS

A um amigo d’outras terras que também ama a Terra.

Era uma vez um menino. Bom... “Era uma vez” não parece muito verdadeiro, pois remete ao illo tempori, princípio tão remoto que o próprio tempo esqueceu. Não quero isso. O protagonista desta historieta foi menino num passado nem tão distante assim. Quatro décadas, pouco mais talvez. Cinco? Não saberia dizer, mas isso pouco importa. Afinal, o que poderiam representar uns poucos decênios diante dos evos e evos de um simples piscar dos olhos de Brahma? Neste caso, mudarei a fórmula e começarei de novo: “Um dia, um menino” — assim me parece melhor e então...

Um dia, um menino acordou meio sem ter o que fazer ou, pelo menos, achava que não. Perambulou pelo quintal, consciente, em parte, do cheiro bom e fresco que emanava do chão. Chovera durante a noite, mas, de certo, não fora uma tempestade. Pancada rápida, só para aliviar as plantas, sentar a poeira e acordar a terra. O perfume da terra...

O menino dessa história vivia num lugar diferente do meu, um oceano inteiro mais longe. Por isso, naquela manhã, não sentiu no ar o leve travo do minério de ferro molhado. Mas quem se importa? Em compensação, deve ter percebido mil outros olores que não fazem parte do meu buquê. Isso é irrelevante. Tanto a terra quanto os meninos são similares em qualquer lugar e as pequenas diferenças que, por ventura, possamos detectar, decorrem apenas das incontáveis variações sobre um mesmo tema, pois que a melodia ou a “Grande Sinfonia”, esta é universal.

No quintal havia uma figueira. Enorme, fecunda, generosa. Generosidade expressa em figos, perfumados, deliciosos. Sabiam a flor e a mel. Frutos e abrigo atraiam não somente os tordos da região, mas toda uma irrequieta população de outros pássaros, para os quais a figueira não só era, como sempre fora. Estivera naquele lugar, desde sempre, participando da eternidade cósmica dos deuses, vegetais ou não.

Mas àquela ralé alada nada disso importava, que eles só vinham por causa dos figos. Porém, abrigados ali, havia ainda uma outra raça de pássaros. Estes dividiam a figueira com a arraia miúda, pois que os tempos que ora corriam, não eram fáceis... Pertenciam, contudo, a uma outra raça. Maiores e mais bonitos, eram também, muito, mas muito mais antigos. E mais sábios, pois desta antiguidade remota lhes viera a sageza. O tempo os tornara ariscos. Difíceis de se ver e mais difíceis ainda de se deixarem apanhar. O povo da terra os chamava “papa-figos”. E o povo não estava de todo errado, pois nunca está, entretanto, pouco sabia daquela raça de aves, além do fato de também tirarem seu sustento dos figos maduros.

Porém, entre os “papa-figos” e o resto dos inquilinos da figueira havia uma diferença abissal: aqueles compartiam da natureza da árvore. Eram sua alma e sua essência. Mas, o maior, mais belo e mais sábio, dentre todos eles, era Garuda, seu rei.
O menino sonolento que vagava pelo quintal naquela manhã, tampouco sabia nada disso. Entretanto, pisava descalço o solo macio, úmido da chuva da véspera, percebia o cheiro e as cores da terra e, sem que se desse conta, de repente tornou-se uno com ela. Por isso, ao olhar para figueira pode ver Garuda, ainda que este estivesse camuflado sob uma folha. Garuda também viu o menino, mas nada podia fazer, pois, naquele instante, ambos haviam se tornado um só.

A visão do “papa-figo”, entretanto, acordou no garoto seu instinto de Homem e ele se lembrou da velha espingarda do pai. Talvez a arma nem fosse grande coisa, pouco mais do que aqui chamamos “pica-pau”... Ainda assim, saiu disparado em busca dela.

Sob a folha da figueira, Garuda esperou. Sabia que o sacrifício era inevitável.

Já armado, o menino olhou firme para o pássaro, ainda imóvel, mirou com cuidado e puxou o gatilho. O estampido causou um rebuliço consternado na figueira e dezenas e dezenas de aves fugiram para longe, em grande alarido. Todavia, ao olhar para o chão, o rapazinho viu um “papa-figos”, morto aos pés da árvore. Recolheu-o e o pendurou na cozinha. Na verdade, estava algo apreensivo, pois não sabia como reagiria o pai, mas tinha uma leve esperança que tudo decorreria pelo melhor. O uso da arma tinha sido um ato não consentido, mas havia um troféu...
Assim, quando o pai chegou, à noite, olhou, sorriu e considerou o feito como uma façanha porque é bem difícil apanhar uma ave daquelas.

Não se sabe se por causa daquele tiro ou por qual outra razão, os "papa-figos" foram desaparecendo e agora já não se vêem. Existe, porém, a remota esperança de que voltem, mas tudo dependerá da próxima encarnação de Garuda. Aliás, com os deuses do panteão indiano nunca se sabe... Encarnam e desencarnam com a maior facilidade e a gente jamais consegue adivinhar sob qual forma voltarão. Sem falar na dificuldade extra de tentar descobrir por que diabos, Garuda resolveu encarnar justo em terras minhotas, tão longe do seu país natal. Talvez tenha vindo em alguma caravela. Quem sabe?

(continua no post abaixo)


 
     
   


Escrito por Amina às 19h54
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ULTRAMAR II

 HISTORINHA QUASE BHARATA... (II)
     
 


   


O PAPA-FIGOS (cont.)

O menino cresceu e agora já é um homem, pra lá de feito. Talvez, por influência de Garuda, andou sua vida toda em busca do Sagrado. Chegou a estudar numa escola de magos negros e percorreu todos seus meandros, mas não pode encontrá-lo, pois, simplesmente, não estava lá. Desanimado, freqüentou um ashram para guerreiros, onde lhe ensinaram a manipular armas bem mais sofisticadas do que a velha “pica–pau” de seu pai. Lutou muitas guerras, tanto as sutis quanto as concretas e, talvez, tenha derramado algum sangue além do de Garuda. Talvez...
Aprendera sobre a Morte, mas nela também não estava o Sagrado.

Um dia, cruzou o Lethes de volta ao seu lugar. Bem... Não era exatamente o Lethes e sim, o rio Lima, mas que diferença faz? Ele já não era mais um garoto sonolento. Ao contrário, andava bem acordado. Por isso, ao trabalhar o solo e pisar, descalço, o chão que era seu, aspirou de novo o cheiro da terra. O cheiro bom e limpo da Terra. Mas era diferente agora e ele soube de imediato que era Uno com ela. Então, o Sagrado manifestou-se e a verdade imemorial contida nessa unição foi assimilada e renovada com a força de uma primeira vez.
Até acredito (e será bem possível) que Garuda resolva reencarnar em seu sítio, de novo, como "papa-figos". Pelas artes do eterno retorno, é claro...


Nota: A ilustração do alto é uma montagem sobre "Pipal", a figueira cósmica mencionada nos Vedas, cujas raizes firmam-se no Céu, enquanto que seus braços e ramos tocam a Terra. Na verdade, uma remota versão ariana da Yggdrasil escandinava. Fazer o quê? Os mitos são assim mesmo... Renovam-se uns nos outros, não importa de onde venham.
A gravura acima representa Garuda, o homem-águia, Rei dos Pássaros, que transporta em seu dorso Vishnu e Lakshmi. Ambas as imagens foram copiadas do meu exemplar do "Mahabharata".
Bem sei que o "Garuda" desta história é um prosaico papa-figos... Porém, deixei claro ( no título) que esta é uma historinha "quase Bharata..."

 
     
   


Escrito por Amina às 19h50
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